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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A aventura BALEIAS no Back to Back da COMRADES 2013!!

Prezados amigos e amigas Baleias.

Aproveitando o início das inscrições para a Comrades 2014, prova de 89 kms na África do Sul, momento anual de muita firmeza, decisão e ousadia, trago nesse espaço de lazer, relaxamento, descanso e muito desafio, a nossa saga na conquista Back to Back

Sei que a velocidade do intervalo entre os dois últimos relatos causará furor no Mundo que gosta do Mundo Baleias. É isso mesmo, a motivação está no ar!!!

Tinil também experimentou a Comrades em 2013. No ano passado as operações no joelho o fizeram desistir do Projeto. Em 2014 vai para o Back to Back, na companhia de José Maia, de São Bernardo do Campo/SP.

Retrocedendo, pois, no tempo, no último dia de maio de 2013 eu e Wu seguimos para Durban na África do Sul para completar o desafio proposto três anos antes: correr e terminar a Comrades. Fizemos 89 kms em 2012, faltavam agora, 87 kms, em 2013.  Um dia antes liguei para Paulo Sobral, Almir, Júlio Cordeiro, Paulo Picanha e, claro, o Grande Presidente Lula Holanda, todos da Acorja do Recife e já Comradeiros experimentados, para pedir a benção para o nosso Back to Back.

O Back to Back não estava na origem da decisão e só foi firmado numa mesa de bar de Johannesburgo, depois do sucesso na Comrades 2012, na companhia de Maria José da Equipe Tavares de SP, Paulo Gustavo da Acorja de Recife e Marinês Melo, Baleias de Recife, que viveram e venceram conosco a primeira experiência nessa fantástica ultramaratona.

Na segunda experiência, para o Back to Back, Marinês Melo não topou, outros projetos internacionais a encantaram. Maria José e Paulo Gustavo foram mas se hospedaram em Pietermaritzburg, a cidade da largada e voltaram para o Brasil logo na segunda-feira. Com isso não andamos juntos nesse segundo ano do desafio. 

Esse ano não tive qualquer problema em minha preparação. Cancelei os treinos de tiros em ladeira e acompanhei, com Wu, a planilha do site da Comrades para sub 11 horas. Wu queria 4 treinos de 60 kms. Fechamos um acordo em dois. Completamos um de 60 e o outro interrompemos nos 55 pois estávamos a 15 dias da prova e nos bateu uma vontade de não arriscar mais naquele dia. Nada como ter a maturidade como parceira, o que é muito comum em mim.  
Por força da conjuntura do mercado aéreo tivemos que passar uma parte da madrugada no aeroporto de Guarulhos. Nosso amigo, que tanto nos inspira nesses desafios, estava trancado impossibilitando a tradicional foto. Ficamos um pouco pensativos se aquela porta fechada era algum sinal, se significava alguma coisa... no que Wu prontamente me esclareceu que significava que a loja estava fechada e não poderíamos entrar. Resolvido, continuamos seguindo o planejado.
Nesse ano os passeios estavam prejudicados pelo custo das passagens. Iriamos para correr e voltar logo em seguida. Só visitaríamos Durban. Não realizei o meu sonho de visitar o ponto mais austral da África que fica num parque na Cidade do Cabo. No ano passado chegamos 15 minutos atrasados e o parque estava fechado e nesse ano estava impossível esticar até a bela Cape Town. Tudo isso me faz presumir que correrei a Two Oceans um dia.
No ano passado havíamos descoberto, depois da prova, que não se vende cerveja na África do Sul aos domingos. Foi uma decepção para nós pois o esforço nessa prova é descomunal, vem de vários meses e estar liberado para tomar uma cerveja depois da prova sempre foi um pensamento que trazia um equilíbrio com os sacrifícios. Assim resolvi levar do Brasil um isopor para colocar no guarda volume e poder tomar uma cerveja depois da prova.

Como no ano passado, pelo cansaço, não havíamos comparecido na área da chegada reservada aos corredores internacionais não ficamos sabendo que lá tinha cerveja liberada para os corredores. A vida às vezes é muito jocosa!!  
Wu falava: "não acredito que você trouxe isso do Brasil." Mas abraçou completamente a ideia da cerveja depois da prova e começou a me ajudar na montagem de um sistema que desse certo. Estávamos há 49 dias sem beber por conta dos treinamentos e isso era uma prioridade em nossa exagerada postura de vida. Já havíamos também conseguido através do booking.com que nosso quarto tivesse um frigobar pois no ano passado não tinha e, inexperientes, não nos antecipamos a esse erro.

Como chegamos na noite de sexta-feira em Durban não foi possível ir ao Centro de Exposição da Comrades. Tudo ficou para o sábado.
Como nada é fácil em minha vida (só em algumas partes) acordei no sábado com uma crise de rinite dessas de arregaçar. Antes de tudo fui a uma farmácia tentar encontrar os remédios que costumo tomar por aqui. Essa Comrades é tensão pura, sempre, de todos os lados. Wu, meu amigo, sempre solidário nesses momentos e sempre, também, cultivando em sua mente competitiva a hipótese de eu não completar, acompanhou-me interessado à consulta ao farmacêutico.
Remédios conseguidos, continuamos seguindo. De minha parte, se conseguisse completar a Comrades, não tinha problema cuidar de uma pneumonia depois. Abusando de eufemismos a coriza e secreção estavam demasiadas e de forte coloração. O paracetamol eu havia trazido comigo e comecei também, de 6 em 6 horas.
Chegamos, enfim, onde gostamos. A Feira de Exposição das provas que corremos. É muito divertido e a Comrades talvez seja a que tem o melhor clima para os estrangeiros. Temos um espaço reservado com água, café, Energade (o gatorade de lá), onde podemos sentar, conversar, conhecer os outros brasileiros. Por mim passo o dia inteiro lá.
Tinil também esteve lá, mas na sexta-feira. Não nos encontramos no sábado antes da prova.
A alegria do encontro com os guerreiros do Brasil. Gente muito melhor e mais preparada do que nós mas que a simpatia e gentileza os faz nos considerar verdadeiros atletas. Lindenberg Nunes (07.34.41) e Dionísio Silvestre, do blog Correr é Pura Paixão (09.16.21) de Brasilia.

Completam a foto Francisco Otoni Porto (08.49.32) e Andreia, de Belo Horizonte, um casal parceiro que diz das aventuras de um e de outro em cumplicidade estampada num sorriso que um mundo busca e nem uma vila tem. Andreia, guerreira, vai encarar a prova em 2014.

Conhecer esses corredores e continuar amigo deles no retorno ao Brasil faz todo esse sacrifício e loucura valer a pena. Mas a partir de agora vamos nos encontrar no Brasil ou em outro lugar do mundo porque eu e Wu encerramos nossa participação na Comrades com o Back to Back.
O registro nosso com quem muito respeitamos. Diversos corredores que são para lá de Green Number. O costume lá é correr sempre. Existem corredores que têm 20, 30, 40 Comrades. 
No espaço internacional ouvindo os casos de Lindenberg Nunes. Esse cara é muito divertido. No detalhe, de camisa amarela, Hebert, de Belo Horizonte, que começou a correr em 2009 e em 2011 já encarou a Comrades. Essas histórias colocam nosso esforço no chinelo: eu e Wu começamos a correr em 1999 e 2003 e só encaramos a Comrades em 2012.
O encontro com o Nilson Lima de Uberlândia, amigo desde o Desafio das 6 Maratonas de 2009, organizado pelo lendário Maurício Bertuzzi. (Aliás, que tal a ideia para o mundo exagerado de montar um desafio de todas as maratonas brasileiras de agora que já são várias? As do mesmo dia o desafiante escolheria uma e o desafio teria um número exato) Nilson havia completado nos EUA a sua 100ª Maratona e recebeu dos amigos em sua cidade uma recepção de herói com mais de 100 pessoas vestindo camisa personalizada com alusão ao acontecimento. Festa e prestígio para quem merece. É o que se planta, é o que se colhe.
Um coral vestindo Baleias. Várias apresentações culturais na festa da Comrades.
Encerrada nossa participação na Feira fomos atrás de operacionalizar a cerveja para depois da prova em Pietermaritzburg, no dia seguinte. Isopor com gelo no guarda-volumes. E o medo do isopor quebrar e molhar as mochilas dos outros corredores. Como resolvemos isso? Wu ficou responsável por retirar o pacote na chegada. Se estivesse causado problemas ele não entende a língua mesmo, não liga para nada, carregaríamos o mal estar pela m... mais reservadamente.

Chegou a noite e como no ano anterior, na Comrades, não há para nós, passeios durante o dia como nas outras maratonas. Recolhemo-nos cedo. Minha crise de rinite continuava. Eu aspergia soro fisiológico e o remédio muito mais do que numa situação normal e desde a manhã tomava o paracetamol de 6 em 6 horas.

Já havíamos decidido não tomar o café da manhã do hotel pois o consideramos muito gorduroso para o dia da prova. Estávamos hospedados a 3 minutos da largada, o que nos possibilitaria uma noite de sono melhor do que nos anos de descida em que temos que acordar à 01 da manhã para começar a preparar.

Mandei uma mensagem para o meu irmão que é médico perguntando sobre o exagero da dose de remédios para a rinite naquela noite, qual seria a dimensão do exagero. Não consegui contato e toquei em frente pois já tive pressa... Nosso quarto tinha duas camas de casal, o que é muito bom. Acordei no meio da madrugada completamente suado. Troquei de roupa e de lado na cama. Acordei melhor do que no dia anterior. I'm in business, pensei, agora que sou, junto com Carlos Magno, um estudante da língua dos exploradores.
Na largada encontramos com Franciso Ottoni Porto, guerreiro que também vai ver o Galo no Marrocos em dezembro, tendo ficado eternizado esse momento do início do Back to Back. Encontramos também com Tinil e Meire, da Equipe VEM de Belo Horizonte.
Vivemos, mais uma vez, a emoção da mítica largada da Comrades. Cantei Shosholoza a plenos pulmões e tomei o último paracetamol que ficou meio que conversando comigo nos quilômetros iniciais.
Iniciei a corrida torcendo para o tempo frio, porém, para isso a percepção da manhã, além das previsões em nossa amada internet teriam que ser contrariadas. E tinha também aquele lance do ano de "subida" que para mim se revelou definidor: a subida é muito mais difícil que a descida, embora tenha dois quilômetros a menos. 
Idealizei fazer a prova sem me aprochegar aos famosos "ônibus" (grupos de corredores que seguem um líder que fará a prova num tempo definido e carrega uma flâmula indicando o objetivo), embora, desde a largada os tenha mantido em minha alça de mira. Eram dois de sub 11 e dois de sub 12, portanto, eu tinha margem confortável e não estava com o baita medo que a lesão na panturrilha fez me acompanhar em 2012.

Segui à frente do primeiro ônibus de sub 11. Logo logo ele me pegou. Acompanhei um tempo mas fiquei para trás. Pensei com a arrogância e credulidade que não abandona um gordo fazendo programa de magro: "tudo bem, o segundo ônibus não me pega."

Claro que ele me pegou. Todos os gentis leitores já sabiam disso. Acompanhei muito tempo esse segundo ônibus sub 11. Urrei, sofri, pensei, tentei, mas não deu. Estava impossível. Nada senti da rinite, mas o calor consome um gordo que ferve em seu tecido adiposo. Perdi o segundo ônibus sub 11, renovei minha arrogância quanto ao primeiro ônibus sub 12 e fui seguindo.
Passei a acompanhar as informações contidas no número das costas dos corredores. Vi uma mulher (Louise - 12042) que indicava 17 Comrades sendo 16 na medalha que eu queria (Bronze - sub 11) e apenas uma medalha na sub 12 (Vic Clapham - a que eu já tinha do ano passado e lutava para melhorar).  Pensei: "é essa mulher que devo seguir. Ela está no limite do que quero e sabe dosar." Passei a acompanhá-la. 

Faltando duas horas para minha meta e 15 quilômetros de prova pensei; "já fiz a São Silvestre em menos de duas horas", já fiz a "Volta da Pampulha em menos de duas horas", vai dar.  Eu seguia minha guia e me enganava constantemente como quando criança no SOE (Serviço de Orientação Educacional) da escola, onde ouvia o tempo todo: "você está enganando a si mesmo".

Na São Silvestre e na Pampulha eu nunca tinha corrido, antes, 65 quilômetros.

Continuei fazendo as contas. Depois de dois anos na Comrades, um Garmin 405 e um Garmin 310XT, descobri que os Garmins são absolutamente irrelevantes na Comrades. Uma bobagem. O sistema é outro.

Com uma hora faltando para meu objetivo sub 11, perto de 9 quilômetros para percorrer até o final e diante de uma enorme subida que tem até nome próprio ocorreu meu último momento "achava que dava", equivalente a "avada kedrava" pois precisava de uma varinha mágica para me fazer chegar no sub 11. 

Nesse momento eu vi uma luz. A humildade que em alguns momentos da prova me abandonara voltou. A imagem de Papa Francisco, o modelo de humildade que me acompanha na vida me veio à mente e me ajudou a concluir: "Miguel, meu filho, deixe de bobagem, pare de pensar no Wu, cuide de terminar essa prova no tempo que for possível porque tem muito corredor ainda atrás e dentre eles vários brasileiros que podem te ferrar.

Aparecer em último lugar na classificação publicada na Contra-Relógio era meu pavor. Porém, como a vida é assaz jocosa, repito, a Contra-Relógio esse ano não publicou a classificação dos brasileiros e fez uma das piores coberturas que já vi da Comrades. O Tomáz utilizou sua experiência de 2007 para dar informações jornalísticas da prova de 2013. Um desastre.
 No finalzinho, parece que estou até chorando, na casca.
Cheguei com 11.16.45 hs. Uma brasileira me passou no último quilômetro e não tive forças para reagir. Tudo bem, tudo estava sensacional. Eu era Back to Back. Dois anos na Comrades, descida e subida. FPC!! Mais um problema criado e resolvido.

Wu também era Back to Back (10.54.25) e Tinil tinha terminado com um belo tempo (09.07.06).

Uma Comrades só, back to back ou Green Number, tudo vale muito a pena e para mim é a mesma coisa, porque depende do gosto e da vontade. Volto na África do Sul, terra de Nelson Mandela, meu amigo que nunca vi, nunca conversei e nunca correspondi, quantas vezes meus amigos me chamarem, mas Miguel Delgado e Comrades, na pista, é admiração, paixão e passado.
Eu e Wu ainda corríamos e Tinil e Meire, nossa amiga da Equipe VEM, do Roberto de Belo Horizonte, já comemoravam e esperavam os amigos que lutam com mais dificuldade nas distâncias. Meire foi a segunda brasileira na Comrades. Uma fera.
Eles já bebiam e eu ainda buscava chegar.
Mas eu cheguei. Melhorei o tempo de conclusão mas não consegui melhorar minha medalha. Não deixa de haver uma certa frustração, porém, meus sonhos têm plano A, B, C e D. O último é sempre sobreviver ao evento.
Baleias na Comrades 2103. Tinil, o mais rápido, disse que não voltaria, mas reconsiderou e volta com josé Maia e quem mais vier em 2014. Wu, um sucesso. Duas medalhas sub 11. Eu tentei sempre a medalha sub 11 e termino com duas sub 12, a medalha da Lambuja!! Essa medalha nem existia nos primórdios, nas nos primórdios sequer a Comrades existia.

Wu disse que só volta se Zilda, a 1ª Dama Baleias, quiser fazer um dia. Eu não tenho atualmente uma companheira, mas quando eu tiver e ela disser que quer fazer a Comrades acho difícil eu não ficar doido com a ideia. Acho até que se a Zilda do Wu topar eu topo também. 

Ah! Claro! Se meus filhos fizerem essa alegria para Papai, tô agarrado no projeto. 
 
A medalha Back to Back...
E seu verso onde é possível observar a menção ao feito.
Baleias com o Embaixador da Comrades no Brasil, Nato Amaral, uma simpatia que auxilia a todos os que se preparam para a prova e o primeiro Sul-Americano Green Number. Nilson Lima (10.11.06), de Uberlândia, completa a foto.
Na volta, de Pietermaritzburg para Durban, o isopor funcionou completamente. Estávamos liberados e cheio de moral para tomar uma cerveja.

Voltei para o hotel e nada fiz naquela noite. Encerrada a Comrades, tomar banho e deitar é sempre uma opção das melhores.
No dia seguinte eu e Wu fomos conhecer Durban que não havíamos conhecido no ano anterior. Fomos ao estádio Moses Mabhida onde o Brasil perdeu da Holanda na Copa do Mundo de 2010. Sem ressentimentos.
Tinil o visitou no sábado declarando seu amor ao Vila Nova de Goiás.
As vuvuzelas Baleias me emocionaram. Acho que eles sabiam que íamos lá visitar.
Tem um bondinho que passa por cima da cobertura do estádio o que permite uma bela vista de Durban e do oceano Índico. Bondinhos, teleféricos, planos inclinados, funiculares fazem parte do ideário Baleias numa viagem.
Lá em cima encontramos corredores Sul-Africanos da Cidade do Cabo, todos com várias Comrades no currículo. Nesse momento fomos convidados para correr a Two Oceans e balançamos.
Um estádio de Rugbi, vizinho ao Moses Mabhida, visto do mirante. O Rugbi e o Futebol fazem parte da recentemente escrita nova história da África do Sul. Resumida de forma brilhante num livro e posterior filme: Invictus de John Carling o primeiro e de Clint Eastwood o segundo. Imperdíveis os dois, na ordem. 
Wu e o oceano Índico. De São Gonçalo do Sapucaí para o Mundo. Não é todo mundo que consegue engolir isso.
Ainda na praça do estádio paramos para experimentar mais umas cervejas da África do Sul no Cuba Lounge. Ambientando-nos a La Marabana, uma maratona que está nos planos desde muito tempo.
Com nosso amigo Claude que muito bem cuidou da gente nessa tarde em Durban e disse que pretende vir ao Brasil em 2014 para ver a Copa do Mundo. Será uma satisfação recebê-lo no Brasil.
Cerveja e comida Sul-Africana no pós Comrades. Talvez não seja a nutrição de recuperação mais indicada mas é a que nos deixou mais felizes.
Passamos a tarde no Cuba Lounge e ficamos amigos de todos, claro. A cada momento que passava eu ia piorando da inicial crise de rinite.
Deixamos as imediações do estádio no primeiro ônibus que passou e nos aventuramos pela noite de Durban. Fizemos uma via sacra pelos bares. Muito legal. Cansados pegamos um taxi para ir embora e ele rodou dois quarteirões e nos entregou no hotel. Muito engraçado.
Na manhã de terça-feira despedimo-nos da simpática equipe do hotel e seguimos para o aeroporto. Nesse momento eu já estava completamente tomado pela sinusite, conforme descobri depois, substituiu a rinite.
No aeroporto a última cerveja sul-africana trazida numa bolsa térmica adquirida na Feira da Comrades. A crise de minhas vias respiratórias fez com que as cervejas sobrassem na geladeira do hotel. Fiz toda a viagem de volta sem tomar nem uma cerveja no voo SAA, nem um filmezinho vi também. Mas tinha completado a Comrades, tava tudo perfeito.
No retorno o encontro que muita alegria nos traz com o Mestre Branca sempre gentil com o Mundo Baleias.

Eu e Wu encerramos nosso ciclo Comrades. 

Treinamos muito, pelo menos para nossos padrões, vivemos momentos de privações. Tivemos que ir longe para nossos longões. No ano passado corremos a Maratona de Tóquio para início da preparação, eu corri também Barcelona e nesse ano nossos longões foram uma maratona na Austrália, uma na Nova Zelândia, a de Santiago, além  dos treinos em Belo Horizonte (opo).
Ficamos muito orgulhosos de nós mesmos. Os primeiros Baleias Back to Back. Com o sucesso da empreitada fomos autorizados pelo Conselho Superior Baleias a colocar no Manto Coral o símbolo da Comrades. A farda coral enganalada por merecimento. Wu também reivindicou a condecoração de Praça mais Distinta, mas o pedido foi indeferido por corolário lógico.  
No retorno para casa a necessária consulta médica já no dia seguinte e a sinusite instalada com a advertência do risco de se chegar a uma pneumonia. Mole pra nós. A Comrades já estava no balaio, o resto era filigrana muito mais fácil de ser vencida.
Mesmo com a medicação demorei muito a ficar bom. Eu e Wu cancelamos nossa participação na Maratona de Porto Alegre, em 16.06.2013, mesmo com passagens compradas e inscrição feita porque eu não tinha a menor condição de fazer a prova. A sorte foi que Wu também estava com problemas de liberação no serviço e veio a calhar a ideia do cancelamento.

Também não corri a Maratona do Rio, para a qual também estava inscrito. Essa Wu correu e agora tem uma a mais do que eu. Vou buscar o empate.

Retornei às maratonas em Assunção, dia 04 de agosto. Como perdi todo o esforço dietético conquistado para a Comrades, estou na luta de novo em busca de treino e corpo melhores. Espero estar bem em Berlim, onde acompanharei a estreia nas maratonas de Pedro, meu filho, aquele, lembram? Medi.... E acompanharei também a estreia de Elaine, Zilda, Waldeci, Ezilda e, quem sabe, num arroubo que lhe é costumeiro, meu amigo Carlos Magno Guerra, que está inscrito mas luta com os treinos ideais.

Esse símbolo irá me acompanhar para sempre. Como a insegurança da conquista sempre me acompanhou. Não insegurança com relação à força de vontade. Isso não. Mas de me defrontar com o exaurir das energias do corpo. Nunca fiquei tranquilo, nem num ano nem no outro. Por isso é que depois dela é duro de entrar nos eixos novamente.

Não vou esquecer nunca da gratidão que carrego ao fisioterapeuta Baleias Haroldo da Previnir de BH que apostou em mim até mais do que eu mesmo. Ir lá era um renovar de força e confiança.

A minha lista de agradecimentos é a mesma do ano passado, acrescida da Elaine que treinou comigo dois longões em Juiz de Fora em distância maior do que seu costume. Valeu demais. O bairro Novo Horizonte em Juiz de Fora faz parte da minha história na Comrades.

Eu e Wu nos agradecemos, mais uma vez, reciprocamente porque é inegável que somos realmente FPC!!!!

Rumo ao Ironman Brasil 2015!!!

Grande abraço a todos e muito obrigado por tudo, sempre.

Miguel Delgado BtB!!!

7 comentários:

Dionisio Silvestre disse...

Meu amigo Miguel Delgado,
Que delícia de texto. Acompanhar a sua narrativa, rever imagens dos bastidores e da prova... não tem preço!!! Confesso que tive que respirar fundo durante a leitura do relato. Não sei se o amigo vai suportar a pressão e deixar de lado a "magia e beleza" Comrades. Parabéns pela determinação. Ultra abraço e nos vemos no caminho,

Dionisio Silvestre
http://correrpurapaixao.blogspot.com.br

Andreia Oenning disse...

MIGUEL, WU: VOCÊS SÃO NOSSOS MESTRES NA ARTE DE CORRER!

tutta disse...

Parabéns Miguel e Wu pelo Back to Back e ao Tinil pela excelente estreia na prova e parabéns também à Meire.
Grande abraço a todos e tudo de bom.


tutta-Baleias-PR
www.correndocorridas.blogspot.com.br

Bons Km disse...

Miguel, o post está fenomenal, angustiante, engraçado e motivador, as fotos são muito boas, fico imaginando o esforço que vocês fizeram não só na prova mas todo o treinamento e me parece que o apoio de todos é fundamental, a saga da cerveja merecia um post exclusivo tamanho o esforço e estratégia nele empregado, depois disso tudo acho bem pouco provável que essa seja a última, deixa o tempo passar, A Two Oceans deve ser maravilhosa, e o Iron me parece super possível apesar de tão perto, Parabéns Baleias vocês são uma pílula de motivação nesse mundo corrístico. Ah e parabéns ao Wu acho que ele merecia o título Praça mais Distinta afinal agora tem uma maratona a mais que tu =P
Bons Km´s
Ju

GILMAR FARIAS disse...

Miguel,
Uau! O blog BALEIAS está mais rápido do que o facebook!
Delícia de texto!
É muito bom quando os planos dão certo, apesar da rinite/sinusite/pnemunite...
Se quiser empatar com o mestre, é só aparecer para a Maurício de Nassau.
Parabéns por tudo!
Gilmar

Dart Araujo disse...

Mais uma postagem sensacional Miguel. Demorei a comentar, por que demorei a terminar de ler. Mas pode continuar com toda esta sua empolgação e descer com mais postagens. O Mundo BALEIAS esta amando este seu momento de inspiração.

Nossa este Hebert de BH é corajoso hem. Vou me inspirar nele, para correr minha primeira maratona. Esta mais que na hora né?

Fico muito feliz por você e Wu, nossas inspirações. Que bacana a medalha vir com o Back To Back escrito. Não sabia que vinha assim.

Parabénssssss!!!! mais uma vez...
Abração e até mais

claudio dundes disse...

Dukar alio!!!!
O Wu é fod ástico!! E eu amo o Wu! Wu é o mestre... pior quem nem bebendo dá pra acompanhá-lo. Que dirá correndo.

parabéns Miguel!!!