O meu desejo de correr uma maratona no
Japão surgiu aqui neste blog na ocasião da minha apresentação como novo
integrante da equipe BALEIAS (http://baleias-corridaderua.blogspot.com/2009/10/o-1-ultramaratonista-baleia.html).
Desde então, o Projeto Tóquio ficou martelando na minha cabeça. Foi aí que decidi que a minha estréia em corridas internacionais seria na terra natal dos meus avôs, como forma de homenageá-los.
Acompanhei o Desafio Sul-Americano/2010 passo a passo, e, em cada jornada ficava impressionado com os relatos das corridas e a felicidade dos nossos amigos ao conhecer um novo país. Em cada etapa havia o convite para acompanhá-los, mas resisti bravamente à tentação (estava determinado a cumprir o meu desejo e, principalmente, poupar recursos para concretizá-lo).
No segundo semestre de 2010, as
inscrições para a Maratona de Tóquio se esgotaram, ficando somente a
possibilidade de inscrição via agência de turismo o que encareceria a viagem.
Debatemos, via e-mail, outras possibilidades. Consultamos o calendário da AIMS
(http://www.aimsworldrunning.org/Calendar.htm).
Foi então que o nosso amigo Marathon Maniacs, Carlos Hideaki, comentou sobre a
Maratona de Nagano (http://www.naganomarathon.gr.jp/contents/13th/english/index.html)
e analisando o calendário, ela estava próxima de outra corrida que muito me
interessava: a Two Oceans Marathon (http://www.twooceansmarathon.org.za/).
Pronto!!! Nasceu o Desafio Três Oceanos!!!
Apresentei a idéia ao comando BALEIAS, mas devido ao longo período de viagem, não foi possível a formação de uma delegação BALEIAS para tal aventura. Mas fui devidamente autorizado para prosseguir com o projeto.
Em casa, minhas irmãs gostaram do projeto, principalmente, a parte da viagem. A presença delas foi fundamental, pois ajudaram muito na elaboração do roteiro de viagem, reservas de hotéis e outras dicas. E ainda foram importantes como interpretes nos locais de viagem.
Quando tudo estava preparado (passagens compradas, reservas nos hotéis efetuadas, roteiro definido, etc) veio a notícia do grande terremoto seguido do tsunami que atingiu o Japão de forma assustadora. E as notícias que chegavam ao Brasil impressionavam pela gravidade da situação e que atingiu o ápice com o vazamento de elementos radioativos da Usina Nuclear de Fukushima.
Recebi a notícia da Organização da Maratona de Nagano de que a prova foi cancelada em virtude dos danos causados pelos terremotos que atingiram a região, sendo que os staff’s (policiais, médicos, etc) que apoiariam o evento foram mobilizados para ajudar nos trabalhos de resgate às vítimas dos terremotos.
O sonho da estréia internacional estava comprometido e sem possibilidade de plano B. Acompanhávamos diariamente as notícias que vinham do Japão e mesmo com todos os conselhos para adiar a viagem, resolvemos manter a programação, só alteramos o roteiro de viagem: - Cancelamos a estadia em Nagano devido aos problemas na região e redistribuímos os dias disponíveis para passeios para a região sul do Japão, mais precisamente na ilha de Kyushu.
A belíssima viagem ao Japão, em que a maratona foi substituída por diversos treinos em várias cidades ,será objeto de um outro relato aqui nesse mesmo blog.
A AFRICA DO SUL!
No aeroporto de Johannesburgo recebi as boas vindas de, nada
mais, nada menos, Nelson Mandela..
A energia estava no ar.
Enquanto
aguardava na sala de embarque o vôo para Cape Town, eu observava um avião
manobrando na pista. Pensei comigo: “Precisamos fretar um desse para levar
a delegação BALEIAS até Assunção” “Levarei a idéia ao comando BALEIAS”.
Já em
Cape Town, depois de dar entrada no hotel, fomos andando direto para o
local da retirada do kit da corrida.
Pelo caminho passamos pelo Castle of Good
Hope e no outro lado da avenida lá estava a Table Mountain toda
imponente...
...e no outro lado da avenida lá estava a Table Mountain toda
imponente.
A entrega do kit estava bem tranqüila e todas as pessoas do
atendimento eram super atenciosas.
A feira do evento estava bem
movimentada, com vários stand’s que apresentavam vários produtos referentes à
corrida.
Mas o que me chamou a atenção foi um stand de informação ao turista.
Esse stand ostentava um souvenir bem característico no mundo das corridas: Um
chaveiro BALEIAS!!!
Aproveitamos o restante do dia para fazer um
passeio pela cidade, sendo a visita a Table Moutain uma parada obrigatória.
Nessa foto é possível ver o estádio utilizado na Copa do Mundo e também a Ilha Robben, onde Nelson Mandela passou 18 dos 27 anos em que esteve preso.
No dia seguinte, fomos conhecer o local da largada, programamos
e gravamos o roteiro no GPS do carro. Em seguida, procuramos fazer o trajeto por onde a corrida passava. Paramos várias vezes para apreciar as atrações de cada local.
O ponto alto do passeio foi na Chapman’s Peak para apreciar o pôr-do-sol.
Onde aproveitei o momento para buscar iluminação para a corrida no dia
seguinte.
A CORRIDA
Dia 23 de abril, 4h da madruga. Assim como o
Wu, gosto de deixar as minhas coisas arrumadas para o grande dia.
Partimos para o local da largada, e, chegando às proximidades, o trânsito estava
parado. Fiquei preocupado, faltavam menos de 30 minutos para a largada. Deixei o
carro com a minha irmã e fui correndo para o local acompanhando a multidão que
havia tomado a mesma descisão (até que foi bom, fiz um aquecimento, pois aquela
manhã estava bem fria).
Aproveitei a escuridão e fiz um teste com a minha
camiseta customizada BALEIAS para corridas noturnas. Acho que fiquei bem
visível.
A largada foi bem tranqüila. Como larguei lá do fundão,
nos quilômetros inicias fiquei “preso” no trânsito de corredores fazendo com que
o meu ritmo fosse maior do que eu havia planejado. Próximo da região de
Muizenberg o sol começava a despontar sobre as construções e os seus raios
iluminavam o paredão rochoso da Table Moutain. Tive a vontade de parar para
tirar uma foto, mas resisti à tentação, pois não podia perder mais tempo tendo
em vista que a corrida tinha “portões de corte por tempo de corrida”.Já no km 31 tinha uma folga no tempo de corte e aproveitei para tirar umas fotos, pois o visual era muito bonito.
Na Chapman’s Peak, parada obrigatória para mais sessões de fotos.
O abastecimento ao longo do percurso é
excelente. Muita água, refrigerante e isotônico.
A Two Oceans é uma corrida sensacional. Em todo o trajeto, tinha muitas pessoas incentivando os corredores. E a beleza do trajeto faz jus ao termo “the world’s most beautiful marathon”. Poderia compará-la com as maratonas do Rio de Janeiro e de Foz do Iguaçu juntas (as duas que considero as mais bonitas do Brasil), pois tem os trechos de praia e costões como a av. Niemeyer no Rio e as subidas e descidas ladeadas por florestas como a av. das Cataratas em Foz.
Ela também reserva algumas surpresas. Já no trecho final começo
ouvir um som peculiar (algo que meu sangue samurai me fez lembrar as “grandes
batalhas”.) ao finalizar uma curva acentuada lá estava um grupo de
percussionistas tocando Taiko (tambores). Foi o máximo!!! Um pouco do
Japão naquela corrida fantástica. E foi na batida/cadência dos Taikos que fui
percorrendo os trechos finais.
Na última curva, antes de entrar no campus da
universidade, encontro a minha irmã .
E ao entrar no gramado para os
metros finais, eis que o narrador da corrida anuncia a minha
chegada.
- “Enio Yuhara, from Brazil!!” (o Z é para dar o
sotaque estrangeiro...)É de arrepiar!!! Inesquecível!!!
Parabéns à Organização da Two Oceans Marathon !!!
A VIAGEM PELA ÁFRICA DO SUL
A África do Sul me impressionou bastante. Ela me fez lembrar o Brasil em muitas ocasiões. Tem um povo alegre e gentil. Suas belezas naturais são fantásticas.
Após a corrida, “almoçamos” em
Waterfront (Cape Town).
E aí começamos a fazer o passeio chamado de
Garden Route.
No dia seguinte passamos pelo Cabo da Boa Esperança (052).
Passamos por Cape Agulhas (o ponto mais austral da África)
Kysna.
Bloukrans Bridge.
O Bungy Jump na ponte, mas eu estava com o corpo dolorido por causa da
corrida, resolvi não abusar...acreditaram??...).
Passamos pelo Pq. Nac. do
Tsitsikamma (com suas ondas gigantescas e a Storms River Bridge). Olha eu lá embaixo, como uma formiguinha.
Cango
Wildlife Ranch (aqui tentei me inspirar no Usain Bolt ao posar com os
guepardos), mas nesse dia os animais tinham acabado de correr uma maratona e
estavam deitados no chão esticando as pernas.
Terminando o Garden Route
em Cango Caves.
No dia seguinte, vôo para Nelspruit e de lá para o Pq.
Nac. Kruger com algumas paradas pelo caminho como o Blyde River Canyon.
Durante o passeio encontramos o carro dos sonhos BALEIAS, a verdadeira laranja
mecânica. Se o CEO BALEIAS ficou impressionado com o “Águia de Prata” imagine
com essa máquina ... (obs: e com o detalhe mimoso no porta-malas).
O
passeio chega ao Pq. Nac. Kruger – campo Letaba - depois de dois dias de
safári fotográficos, consigo avistar os BIG FIVE (leão, rinoceronte, hipopótamo,
elefante e búfalo). A fauna no parque é imensa e a quantidade de animais
avistados é muito grande. Uma experiência fantástica que culminou com o ataque
das leoas em cima de um búfalo (ou melhor, quase atacaram, elas acabaram
desistindo).
Fim da viagem!!!
Trinta dias de férias: uma viagem inesquecível!!
Primavera no Japão e outono na África do Sul. Temperaturas agradáveis e paisagens fenomenais. Boa época para curtir os dois países - uma combinação perfeita - ainda mais podendo participar de corridas em que o visual é a sua maior propaganda.
Para quem ficou interessado. Já pode programar para o ano que vem:
07 de abril de 2012 – Old Mutual Two Oceans Marathon
15 de abril de 2012 - Nagano Olympic Commemorative Marathon
Conforme o calendário AIMS: http://www.aimsworldrunning.org/Calendar.htm
Abraço a todos. Ênio Akio Yuhara.
N.do E.: Pô, nem uma fotinha das irmãs, nem o nome delas?
N.do E.: Pô, nem uma fotinha das irmãs, nem o nome delas?















