Meus caros amigos e amigas!
Sei que todos esperam o relato da Maratona da Linha Verde, mas a data de hoje é emblemática.
Falta um mês exato para nosso maior desafio. Nessa data e horário, no próximo mês, estaremos correndo a mais famosa ultramaratona do mundo.
Teremos na Comrades a companhia perfeita de Paulo Sampaio da Acorja, o Paulinho Red Bull e da ultra Maria José da Equipe Tavares, a dupla que saiu de Urubici para a Maratona de São Paulo no mesmo final de semana em 2011. A bagagem dos dois sempre esteve pronta.
No Mundo Baleias começamos o Projeto Comrades com a inscrição de 10 corredores e
corredoras. Até o momento somos 5 com a passagem comprada e
algumas incertezas ainda.
Dentre as inúmeras dúvidas que me assolam sobre o Projeto Comrades, uma delas é se realmente valeu ter entrado nessa história. É muito treino e aí machuca, muita dieta, dá mau humor, muitas privações (álcool zero - li na Contra-Relógio e adotei) e um receio de não conseguir completar a prova no tempo exigido que não nos abandona nunca.
Isso não é para um sujeito meio gordo que gosta mesmo é da festa que a corrida proporciona, que gosta de tudo o que a corrida tem o poder de aumentar e não das restrições impostas pelo excesso de treino e temor.
Mas eu vou, não sou de desistir previamente. Vou tentar tudo e só saio da prova antes da linha de chegada catado pela van ou morto!
Somos 5 corredores remanescentes do Projeto Comrades, cada um com sua história.
Tinil, o único que ninguém tem dúvida de conquistar a glória, por ironia do destino vive dificuldades extremas com o joelho recém operado e novos problemas do outro joelho que, com ciúmes, resolveu também pedir atenção, tem sua participação ameaçada gravemente.
Marinês Melo, nossa Sereia Baleias, exemplo de garra e persistência, tenta superar seus limites e avançar por quilômetros nunca dantes experimentados.
Ismael Neto com sua profunda experiência de uma maratona e agora duas com Linha Verde no último final de semana também luta com seus fantasmas internos e externos ao asfalto, coliseu de nossa batalha.
Eu, tentando emagrecer para carregar menos quilos nos morros da África, 10 dias sem treinar por questões de saúde na região da Holanda, enfrentando a panturrilha direita que resolveu não aguentar o treino de tiro em subida que estava na planilha do site da Comrades, agora corro de meia de mulher. Um desastre. Mas a meia é boa.
Wu, esse não existe. Detonando paradigmas Wu está na academia. Você liga e o convida para ir a algum lugar e ouve como resposta: "_Não posso, tenho academia!" Onde vamos parar! Wu é o único que não vive dramas, uma corrente sustenta que ele sequer tem cabeça! Treinou outro dia, sozinho, 61 quilômetros. Quando algum de nós iria treinar sozinho uma distância dessa. Nunca!
De nós 5 somente Wu fez um treino de 61 quilômetros. Nós, os demais, já chegamos a 52, 53, e vamos para 55 em Brasília e depois 61 no dia 12, porque a vida não segue planilha e temos que nos adequar à vida!
Para amenizar as ansiedades começamos a resolver os passeios depois da prova e garantimos nossa ida à Ilha de Robben, onde Mandela ficou preso 18 dos 27 anos que esteve privado de sua liberdade. Mandela, para mim o ser humano de maior admiração em toda a história que já tive conhecimento, foi motivo de entrar nessa loucura. Li três livros sobre ele. Sua autobiografia "Um longo Caminho para a Liberdade", "Conversas que tive comigo mesmo" e ainda "Invictus", como preparação para enfrentar a Comrades. São livros que todos deveriam ler. O melhor de Mandela é sabê-lo humano, normal, uma rocha com momentos de fragilidade como todos nós.
A mente depois de completar os 42.195 de Belo Horizonte está boa, animada, quase eufórica, o corpo faz temer por sua parcela de participação no desiderato.
Antes da partida no dia 31 de maio volto a falar sobre nossas cabeças e nossos corpos e o número exato de Baleias ainda no Projeto, um mês é uma eternidade em se tratando de treinos insanos.
Amo vocês! O receio da Comrades tem me feito mais emotivo ainda. No dia que Cláudio Dundes fizer a Comrades, derrete!
Miguel Delgado, meio burro às vezes.










Muitas felicidades!
Beijão